PLATAFORMAS DIGITAIS COOPERATIVAS NO PARADIGMA DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS

INTRODUÇÃO: Hodiernamente a geração de renda é relacionada à inovação para fins de competitividade, e esta questão está envolvendo os governos enquanto promotores e fomentadores de negócios, em especial plataformas com enfoque cooperativo e governança com participação mais democrática, equânime e participativa. O movimento das cooperativas digitais. Considerando esta realidade, este estudo utiliza preceitos teóricos da economia de plataforma, das cooperativas de plataforma e do empreendedorismo institucional para análise do fenômeno.

 

PROBLEMA DE PESQUISA E OBJETIVO: O problema de pesquisa está na compreensão sobre como as instituições públicas podem promover inovações sociais, tecnológicas e empreendedoras por meio de cooperativas de plataformas? Posto isto, o objetivo do estudo é analisar como as instituições públicas promovem inovações sociais, tecnológicas e empreendedoras mediante o desenvolvimento de cooperativas de plataformas.

 

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A economia de plataforma refere-se a modelos de negócios peer-to-peer mediados por TI para compartilhamento de bens subutilizados ou capacidade de serviço através de um intermediário. O cooperativismo de plataforma refere-se a esses mesmos modelos, mas baseado em três pilares: democratização da tecnologia, solidariedade econômica e inovação para benefício de todos. O empreendedorismo institucional diz respeito a arranjos institucionais particulares que alavancam recursos para criar novas instituições ou para transformar as existentes.

 

DISCUSSÃO: No estudo de caso foram constatadas evidências de uma estratégia de empreendedorismo institucional por parte de um município através de incubação de empreendimentos baseado no cooperativismo de plataformas. Os achados sugerem mudanças no regime institucional das plataformas digitais, que passam de uma orientação estritamente capitalista para uma orientação cooperativa, caracterizada pela propriedade coletiva sobre recursos, dados e estruturas de trabalho, governança democrática e construção conjunta de softwares e artefatos tecnológicos.

 

CONCLUSÃO: O estudo permitiu identificar evidências que relacionassem uma plataforma cooperativa a partir da perspectiva do empreendedorismo institucional. Por um lado, esse estudo corrobora a compreensão seminal de empreendedorismo institucional a partir da mobilização de recursos a fim de criar ou transformar; por outro lado, os achados da pesquisa diferem de Scholz (2016) ao atribuir uma função de empreendedor institucional ao governo, aproximando plataformas digitais e cooperativas como na pesquisa de Solel (2019), Vallas e Schor (2020) e Papadimitropoulos (2021).

 

CONTRIBUIÇÃO / IMPACTO: O estudo contribui teoricamente ao identificar que as plataformas cooperativas mobilizam elementos organizacionais para estabelecer uma ordem social, incluindo os cooperados no processo decisório. Além disso, o estudo fornece contribuições gerenciais para formulação de políticas públicas sobre como desenvolver cooperativas de plataformas mediante características das necessidades dos indivíduos e coletivos sociais. Finalmente, o estudo acrescenta à literatura evidências empíricas de um contexto que tem sido amplamente discutido, mas que ainda carece de estudo.

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